Li no Kindle: Princesa de Papel, de Erin Watt




LEITURA NÃO INDICADA PARA MENORES DE 16 ANOS

Esse livro foi uma experiência engraçada. Estava comprando alguns livros de estudo na Saraiva quando vi a capa de "Princesa de Papel". Me apaixonei de cara como fiz com "A Rainha Vermelha". Não li a sinopse, não vi qual era editora, simplesmente optei por ler. Gosto de fazer isso de vez em quando para ter uma surpresa e, de fato, foi isso o que aconteceu.

Erin Watt, na verdade, é um pseudônimo usado por Elle Kennedy e Jen Frederick. O livro conta, inicialmente, a história de Ella - a protagonista -, mas, aos poucos, vai introduzindo histórias secundárias importantes para o desenvolvimento geral da trama. Ella é uma sobrevivente. Tem dezessete anos, faz o ensino médio durante o dia e trabalha como stripper à noite, usando uma identidade falsa. 

"Alguns adolescentes sonham em viajar pelo mundo, ter carros velozes, casas grandes. Eu? Eu quero ter meu apartamento, uma geladeira cheia de comida e um emprego estável que pague bem, de preferência tão empolgante quanto esperar cola secar." 

Certo dia, na escola, um homem chamado Callum Royal vai até o diretor da instituição e o informa que os pais de Ella estão mortos e que ele é seu tutor. Callum Royal é um homem muito rico e influente, melhor amigo de seu falecido pai, Steve. 

"Essa nunca vai ser a minha casa. Meu lugar não é no luxo. É no lixo. É o que eu conheço. É o que me deixa à vontade, porque a miséria não mente. Não está embrulhada em um pacote bonito. É o que é."

Ele consegue tirar Ella de seu emprego como stripper e de seu quartinho sujo alugado e a leva até a mansão Royal. Lá, no entanto, o que a espera é tão sujo quanto sua antiga vida. 

"Esta casa é uma ilusão. É polida e bonita, mas o sonho que Callum está tentando me vender é frágil como papel. Nada fica brilhante para sempre neste mundo."


O primeiro obstáculo é a necessidade de Ella se adaptar a uma realidade tão distinta da sua. Ela não está acostumada a se vestir, andar, falar ou agir como as pessoas da elite esperam. Apesar do nome do seu pai e da fortuna que a aguarda serem relevantes socialmente, ela enfrenta problemas muito sérios em interagir com colegas de escola, principalmente porque os filhos de Callum estão dispostos a infernizar a sua vida. 

"O destino é para os fracos, pessoas que não têm poder ou força para moldar a vida que precisam que seja. Ainda não cheguei lá. Não tenho poder suficiente, mas terei um dia."

Nossa mocinha mistura um perfil tradicional com algumas inovações. As inovações podem ser percebidas por ela ser uma stripper, filha de stripper, que a carregava de um lado para o outro, com uma história marcada por violência, abusos físicos e psicológicos. Ela sabe o que é passar fome, ter que dançar para caras sujos e sorrir por isso, cuidar de uma mãe morrendo de câncer, ou seja, várias coisas que não são lá muito comuns para personagens principais. Por outro lado, é bondosa, meio mártir, virgem e temperamental - coisas pra lá de comuns. 

"Às vezes, acho que sou jovem demais para ter vivido a vida que eu tive. Às vezes, olho ao redor e penso: aqui não é o meu lugar."

Os filhos de Callum são personagens muito interessantes. Enquanto Callum é previsível, seus filhos têm perspectivas que o diferenciam poderosamente do restante. São cinco: Gideon, o mais velho que já está na faculdade e aparece pouco na história, mas é bem relevante para a trama; Reed, o atual chefe da popularidade maligna dos Royal e o maior atormentador de Ella; Easton, o cara engraçado e cheio de vícios que ganha sua simpatia quase instantaneamente; Sawyer e Sebastian, irmãos gêmeos que dividem a mesma namorada e são super bizarros e engraçados. 

"Você deve saber que qualquer que seja o jogo que está jogando, você não pode vencer. Não contra todos nós. Se você for embora agora, você não será machucada. Se você ficar, nós vamos te quebrar tão profundamente que você vai precisar rastejar para ir embora."

Quando comecei a leitura não sabia que se tratava de um new adult, então fui surpreendida pelos palavrões - que não são poucos - e pelas diversas cenas de abuso e violência. Sim, a obra tem aspectos teens, até porque há vários personagens de grande importância que são adolescentes, incluindo a personagem principal. Acredito que tenha sido um livro desenvolvido para entretenimento (o que, sem dúvida, conseguiu), mas abarcou algumas questões importantes, que, infelizmente são tratadas de forma leviana, são praticamente desconsideradas para valorizar um romance que rola (não quero falar qual). Por exemplo, Easton é viciado em apostas e drogas e se põe em risco frequentemente por isso. Nada é falado sobre reabilitação. Ella é quase vítima de um estupro, depois de ser drogada por colegas de escola, e isso é mencionado algumas vezes mais, mas é feito de forma tão mal trabalhada que talvez fosse melhor nem ter posto, já que deu a sensação de que é fácil se livrar desse tipo de coisa. 

Por outro lado, é uma leitura fácil, que passa em um piscar de olhos. Tive a sensação de que o livro possuía apenas cinquenta páginas. Os filhos Royal são bem cativantes e você consegue mergulhar emocionalmente na escrita de Elle e Jen com facilidade. 

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